Olhou para ele. Sempre se perdia ao olhar para aqueles olhos, olhos grandes, arredondados, de um castanho esverdeado profundo e cativante. Aquele olhar, sempre atento, cuidando tudo ao redor. Ela sempre o observava com o canto do olho, tentando não ser notada.
Nunca funcionava.
Quando menos esperava, seu olhar escapava buscando por ele, e o encontrava a olhando fixamente. Imaginava no que estaria pensando:
Será que está pensando em mim?
Está me analisando?
E perdida em seus pensamentos, permanecia fixada naquele olhar. Dava-se conta de que passara minutos sem ao menos piscar - aqueles olhos também fixos nem ao menos pestanejavam - com os olhos já doídos, ressecando, decidia então piscar. Milésimos de segundo, é o que era preciso para piscar, e ao abrir os olhos novamente, não encontrava mais os dele.
Como se nunca tivessem trocado aquele olhar intenso e íntimo, ele já seguia sua vida, sem nenhuma alteração.
Por vezes achou que estava enlouquecendo, mas nada era mais real que aquela troca de olhares.
Estava apaixonada. Mas não conseguia discernir se o sentimento era recíproco.
Angústia crescente, sentia-se uma adolescente. Amor platônico, ela passou a imaginar como seria estar com ele, sonhava com encontros aleatórios...
Estava a ponto de perder a cabeça.
Resolveu tomar uma atitude. Aqueles olhos castanho-esverdeados surgiam toda a vez que fechava os olhos.
Colocou uma roupa discreta. Ouvia o som dos seus passos ecoando ao andar pela rua escura... TOC... TOC..... TOC...TOC..... A rua parecia não ter fim, seu nervosismo crescente.
Então o viu, discreto, elegante, quase altivo.
Ele a viu, parou, e a observou atento.
Ela diminuiu o passo, respirou fundo, foi se aproximando.
Desconcertante, aquele olhar era desconcertante.
10 metros, 5 metros, 2 metros. Ele não se moveu, nem ao menos piscou.
1 metro. Ela parou, ele ainda a olhava fixamente. Ela estendeu a mão.
Por um tempo que pareceu eterno ele não se moveu, seus olhos fixos.
Então, ainda mantendo os olhos nos olhos dela, ele moveu-se em direção a mão dela. Aproximou-se lentamente, até tocar na mão dela.
Aquilo foi o extasi para ela, naquele instante teve certeza que o amava, que não poderia mais separar-se dele.
Quase como resposta, como se sentisse o mesmo, ele fechou os olhos.
Ela sorriu.
Ele saltou graciosamente do muro baixo, entrelaçando-se em suas pernas, ronronando alto. Ela se abaixou, pegou no colo o lindo gato negro de olhos castanhos-esverdeados e seguiu para casa, não estava mais sozinha.
Em homenagem à sexta-feira 13 quem vindo.
Aqui é onde eu falo o que penso independente de qualquer lógica, ou seja, bem vindo ao meu mundo....
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segunda-feira, maio 09, 2011
terça-feira, fevereiro 08, 2011
O beijo - final alternativo
Leia a postagem anterior antes!!!!! Perde a graça se ler esse antes. :P
Antes mesmo de interromper o toque de lábios ele sabe. Ela já está em outro mundo, sonhando com diferentes vidas, em diferentes cores, diferentes histórias.
Ele sorri, e a observa dormir, tranquila e calma. Levanta-se e vai novamente em direção à porta, que fecha atrás dele sem quase fazer barulho. Sobe em seu cavalo alado e sai galopando pela noite estrelada, ainda há muito trabalho para ser feito.
Antes mesmo de interromper o toque de lábios ele sabe. Ela já está em outro mundo, sonhando com diferentes vidas, em diferentes cores, diferentes histórias.
Ele sorri, e a observa dormir, tranquila e calma. Levanta-se e vai novamente em direção à porta, que fecha atrás dele sem quase fazer barulho. Sobe em seu cavalo alado e sai galopando pela noite estrelada, ainda há muito trabalho para ser feito.
o beijo
É uma noite fresca, o que é um alívio depois de tantas noites quentes e abafadas. A noite está clara e estrelada, mas sem luar. Ela observa o céu entre as folhas da árvore em frente à sua sacada. O brilho das estrelas reflete em seu olhar. Ela suspira. Não é um suspiro de angústia, ou ansiedade, é apenas um suspiro.
Sentada na janela ela tem certeza que vai encontrá-lo hoje, ela pode sentir isso. Levanta-se, vai até o banheiro e toma uma ducha para tirar o suor do corpo. Refrescante.
Após o banho, passa hidratante em todo o corpo, já tornou-se um hábito. Escova os dentes e coloca o pijama, o mesmo ritual todas as noites. Fecha a porta do banheiro e entra no quarto. Olha tudo ao redor.
"Parece tudo em ordem" pensa.
Seu olhar se detêm por um instante na porta da sacada, e um sorriso sutil toma conta de seus lábios. Tira a colcha da cama, posiciona as almofadas e apaga a luz. Uma luminosidade fraca entra pela janela, permitindo enxergar apenas os contornos dos móveis. Ela deita. Se movimenta até encontrar a posição ideal. Abraça uma das almofas, outro hábito que criou. Deixa seus olhos acostumarem-se ao escuro do quarto e lança um último olhar para a porta da sacada. Respira fundo, fecha os olhos.
Pensa nas coisas que aconteceram durante o dia, na lista do mercado, nas tarefas da semana... Respira fundo. Pensa em tantas coisas boas que têm acontecido, e pensa nas ruins também. Pensa em como a vida está sendo boa. Então ouve um farfalhar de folhas lá fora, e escuta os passos dele, muito baixo, como folhas caídas ao chão e levadas pelo vento. Ela não ousa abrir os olhos, ela não ousa se mecher, apenas ousa respirar, e ouvir.
Escuta o barulho da porta abrindo, também muito baixo. Não consegue ouvir os passos dele dentro do quarto, mas mentalmente imagina-o percorrendo a distância da porta até sua cama, aproximando-se cada vez mais, e abaixando-se para ficar na mesma altura que a cama. Ela sente seu hálito. É como uma brisa de verão que entra pela janela, com um leve cheiro de chuva e grama molhada. Ele aproxima-se e a beija. Ela sente o calor dos lábios, a leveza do toque. Antes mesmo de interromper o toque de lábios ele sabe. Ela já está em outro mundo, sonhando com diferentes vidas, em diferentes cores, diferentes histórias.
Sentada na janela ela tem certeza que vai encontrá-lo hoje, ela pode sentir isso. Levanta-se, vai até o banheiro e toma uma ducha para tirar o suor do corpo. Refrescante.
Após o banho, passa hidratante em todo o corpo, já tornou-se um hábito. Escova os dentes e coloca o pijama, o mesmo ritual todas as noites. Fecha a porta do banheiro e entra no quarto. Olha tudo ao redor.
"Parece tudo em ordem" pensa.
Seu olhar se detêm por um instante na porta da sacada, e um sorriso sutil toma conta de seus lábios. Tira a colcha da cama, posiciona as almofadas e apaga a luz. Uma luminosidade fraca entra pela janela, permitindo enxergar apenas os contornos dos móveis. Ela deita. Se movimenta até encontrar a posição ideal. Abraça uma das almofas, outro hábito que criou. Deixa seus olhos acostumarem-se ao escuro do quarto e lança um último olhar para a porta da sacada. Respira fundo, fecha os olhos.
Pensa nas coisas que aconteceram durante o dia, na lista do mercado, nas tarefas da semana... Respira fundo. Pensa em tantas coisas boas que têm acontecido, e pensa nas ruins também. Pensa em como a vida está sendo boa. Então ouve um farfalhar de folhas lá fora, e escuta os passos dele, muito baixo, como folhas caídas ao chão e levadas pelo vento. Ela não ousa abrir os olhos, ela não ousa se mecher, apenas ousa respirar, e ouvir.
Escuta o barulho da porta abrindo, também muito baixo. Não consegue ouvir os passos dele dentro do quarto, mas mentalmente imagina-o percorrendo a distância da porta até sua cama, aproximando-se cada vez mais, e abaixando-se para ficar na mesma altura que a cama. Ela sente seu hálito. É como uma brisa de verão que entra pela janela, com um leve cheiro de chuva e grama molhada. Ele aproxima-se e a beija. Ela sente o calor dos lábios, a leveza do toque. Antes mesmo de interromper o toque de lábios ele sabe. Ela já está em outro mundo, sonhando com diferentes vidas, em diferentes cores, diferentes histórias.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Abriu o armário e ficou por algum tempo observando. Não conseguia se decidir.
"Talvez o sobretudo preto, e o chapéu... Poderia ser meio londrino hoje...
Huhmm não. Acho que vestirei a camisa foloriada com a bermuda bege e passarei por turista.
.. Mas hoje acho que será um dia longo... posso colocar o jaleco branco e me passar por médico de novo..."
Ainda pensando no que(m) seria hoje, ouviu a voz atrás da porta:
- Vamos logo... É só um jantar com os meus pais... Nada de mais, eles vão te adorar! Vamos! Céus... como ele consegue demorar mais para se arrumar que eu?...
Ele então volta o rosto novamente para o armário, olha com certo interesse para a roupa camuflada, afinal um colete a prova de balas não seria tão ruim assim. Senta-se na cama e olha ao redor. Seus olhos encontram a foto colorida em cima da cabeceira da cama. Ele sorri.
" Essas calças jeans e a camiseta azul estão ótimas. Acho que serei eu mesmo hoje."
E caminha em direção à porta. Não sem antes pegar o canivete suíço de cima da estante, afinal, nunca se sabe não é?
"Talvez o sobretudo preto, e o chapéu... Poderia ser meio londrino hoje...
Huhmm não. Acho que vestirei a camisa foloriada com a bermuda bege e passarei por turista.
.. Mas hoje acho que será um dia longo... posso colocar o jaleco branco e me passar por médico de novo..."
Ainda pensando no que(m) seria hoje, ouviu a voz atrás da porta:
- Vamos logo... É só um jantar com os meus pais... Nada de mais, eles vão te adorar! Vamos! Céus... como ele consegue demorar mais para se arrumar que eu?...
Ele então volta o rosto novamente para o armário, olha com certo interesse para a roupa camuflada, afinal um colete a prova de balas não seria tão ruim assim. Senta-se na cama e olha ao redor. Seus olhos encontram a foto colorida em cima da cabeceira da cama. Ele sorri.
" Essas calças jeans e a camiseta azul estão ótimas. Acho que serei eu mesmo hoje."
E caminha em direção à porta. Não sem antes pegar o canivete suíço de cima da estante, afinal, nunca se sabe não é?
quarta-feira, junho 30, 2010
O encontro
Final: Parte IV
...ela fecha os olhos....
Ao toque a superfície parece extremamente rígida, intransponível. Ela pressiona a superfície, mas nada parece acontecer. Ok, estou, aqui, quero ver o outro lado. Quero ver o que está tão escondido assim. Mas as palavras não tem nenhum efeito sobre a parede a sua frente. A escuridão é quase total, mesmo com olhos abertos só é possível vislumbrar os contornos de seu braço e sua mão. TÁ EU ESTOU AQUI! O QUE MAIS PRECISA! Nada. Nada acontece. As lágrimas que a pouco haviam parado, voltam a correr por seu rosto. Ela cai de joelhos. Imagens sobre tantos momentos tristes passam por sua mente. Decepções, mágoas. Tudo é revivido por um momento. Pessoas que se foram, palavras que nunca foram ditas, palavras que nunca deveriam ter sido ditas. Tudo lhe vem a mente. Eu devia ter criticado menos. Devia ter sorrido mais. Devia ter dito não. Devia ter arriscado mais, largado tudo. Devia ser menos adulta, menos responsável. Devia ter dito mais o que sentia, talvez as coisas fossem diferentes. Queria ter passado mais tempo com algumas pessoas e menos com outras. Devia ouvir mais os conselhos que me são dados, e parar de dar tantos conselhos. Queria ter magoado menos, e não me deixar magoar tão facilmente. Será que vai passar? Será que vivi da maneira certa? Ficou ali sentada, sentindo muito frio, no escuro, pensamentos incessantes. Tantas dúvidas, tantas incertezas. Tantos momentos sendo relembrados. Tanta dor.
Após um longo período revivendo todas as sua mágoas, quando não haviam mais lágrimas para chorar. Ela entendeu. Eu sei o que está faltando. Levantou-se, deu dois passos para trás, e começou a despir-se. A cada peça de roupa que tirava de seu corpo, despia-se também de uma mágoa, de um rancor. Despia-se de suas dores, de seus pudores. Quando jogou a última peça de roupa na pilha ao lado, olhou-a. Por muito tempo vocês me acompanharam. Por algumas vezes me fizeram companhia, esconderam meus segredos, fizeram parte de mim. Mas agora preciso seguir em frente e de uma vez por todas deixa-las pra trás. Já sem lágrimas nos olhos, fechou os olhos, sabendo da escuridão a sua frente. Sentiu-se sozinha, um pouco triste, mas estava tudo bem. Respirou fundo. E andou de olhos fechados pra frente. Passou por alguma coisa muito fria, mas nem por isso parou ou olhou pra trás. Após alguns passos sentiu que o frio havia passado. Ainda andando abriu os olhos. Era uma sala branca, com uma janela ao fundo que mostrava um lindo jardim. Ao lado da janela uma pessoa estava sentada. Andou mais alguns passos afim de enxergar melhor a pessoa e a paisagem da janela. Então reconheceu aquele sorriso. Já o vira muitas vezes, mas agora ele estava diferente. Era um sorriso mais calmo, mais sereno. Haviam rugas no canto boca, mas também próximas ao olhos. Os cabelos acinzentados que caiam ao lado do rosto mostravam que muito tempo já havia se passado. As mãos não escondiam a idade. E o sorriso lhe convidava a sentar e conversar. Sentiu o coração acelerar, tinha tantas perguntas, mas sabia que tinham bastante tempo. Olhando para aquela imagem de si mesma, como um estranho espelho do futuro e soube que tudo ficaria bem.
Eu vou ficar bem.
...ela fecha os olhos....
Ao toque a superfície parece extremamente rígida, intransponível. Ela pressiona a superfície, mas nada parece acontecer. Ok, estou, aqui, quero ver o outro lado. Quero ver o que está tão escondido assim. Mas as palavras não tem nenhum efeito sobre a parede a sua frente. A escuridão é quase total, mesmo com olhos abertos só é possível vislumbrar os contornos de seu braço e sua mão. TÁ EU ESTOU AQUI! O QUE MAIS PRECISA! Nada. Nada acontece. As lágrimas que a pouco haviam parado, voltam a correr por seu rosto. Ela cai de joelhos. Imagens sobre tantos momentos tristes passam por sua mente. Decepções, mágoas. Tudo é revivido por um momento. Pessoas que se foram, palavras que nunca foram ditas, palavras que nunca deveriam ter sido ditas. Tudo lhe vem a mente. Eu devia ter criticado menos. Devia ter sorrido mais. Devia ter dito não. Devia ter arriscado mais, largado tudo. Devia ser menos adulta, menos responsável. Devia ter dito mais o que sentia, talvez as coisas fossem diferentes. Queria ter passado mais tempo com algumas pessoas e menos com outras. Devia ouvir mais os conselhos que me são dados, e parar de dar tantos conselhos. Queria ter magoado menos, e não me deixar magoar tão facilmente. Será que vai passar? Será que vivi da maneira certa? Ficou ali sentada, sentindo muito frio, no escuro, pensamentos incessantes. Tantas dúvidas, tantas incertezas. Tantos momentos sendo relembrados. Tanta dor.
Após um longo período revivendo todas as sua mágoas, quando não haviam mais lágrimas para chorar. Ela entendeu. Eu sei o que está faltando. Levantou-se, deu dois passos para trás, e começou a despir-se. A cada peça de roupa que tirava de seu corpo, despia-se também de uma mágoa, de um rancor. Despia-se de suas dores, de seus pudores. Quando jogou a última peça de roupa na pilha ao lado, olhou-a. Por muito tempo vocês me acompanharam. Por algumas vezes me fizeram companhia, esconderam meus segredos, fizeram parte de mim. Mas agora preciso seguir em frente e de uma vez por todas deixa-las pra trás. Já sem lágrimas nos olhos, fechou os olhos, sabendo da escuridão a sua frente. Sentiu-se sozinha, um pouco triste, mas estava tudo bem. Respirou fundo. E andou de olhos fechados pra frente. Passou por alguma coisa muito fria, mas nem por isso parou ou olhou pra trás. Após alguns passos sentiu que o frio havia passado. Ainda andando abriu os olhos. Era uma sala branca, com uma janela ao fundo que mostrava um lindo jardim. Ao lado da janela uma pessoa estava sentada. Andou mais alguns passos afim de enxergar melhor a pessoa e a paisagem da janela. Então reconheceu aquele sorriso. Já o vira muitas vezes, mas agora ele estava diferente. Era um sorriso mais calmo, mais sereno. Haviam rugas no canto boca, mas também próximas ao olhos. Os cabelos acinzentados que caiam ao lado do rosto mostravam que muito tempo já havia se passado. As mãos não escondiam a idade. E o sorriso lhe convidava a sentar e conversar. Sentiu o coração acelerar, tinha tantas perguntas, mas sabia que tinham bastante tempo. Olhando para aquela imagem de si mesma, como um estranho espelho do futuro e soube que tudo ficaria bem.
Eu vou ficar bem.
quarta-feira, junho 23, 2010
O Encontro - Parte III
Caindo e caindo.....
Então a queda parece mais suave. Mais leve. Ela abre os olhos. O lugar é estranho. É desconfortável e familiar estar aqui. Sempre esta mesma sensação quando ela vem aqui. Tudo é cinzento, mas de certa forma aveludado como em um sonho, ela sabe que em pouco tempo as coisas terão cores. Aliás, isso é um sonho? Ela sempre se pergunta que lugar é este. Chegou a pensar várias vezes que estava louca. Desistiu de conversar com alguém sobre isso. Nunca ninguém entende. Engraçado como eu só venho aqui quando as coisas não estão bem. Pensou em diversas origens deste lugar. A primeira coisa que sempre lhe passa pela cabeça é que tudo não passa de um sonho, já que sempre acontece quando ela está dormindo, ou sonolenta. Certa vez alguém lhe disse que eram experiências extra-corpóreas. Chegou a pensar que talvez fosse uma maneira que seu corpo encontrou de fazê-la entrar no seu subconsciente. Se esse é meu subconsciente eu estou mesmo ferrada. E sorri ao pensamento. As coisas já tomaram um pouco mais de cor, mas é como se fosse um mundo de sombras. Sombras coloridas que ao longe parecem tão brilhantes. Sombras escuras que parecem sempre surgir no canto do olho e somem quando se tenta segui-las com o olhar. Seja o que for este lugar eu tenho que estar aqui. Tenta se habituar a caminhar, sempre é estranho. É como caminhar em uma pilha de colchões. As sombras passam por ela. Não é hora de ter medo. Nada vai me acontecer. Continua andando, agora vai ficando mais fácil. Queria ter um guia. Queria que alguém estivesse aqui comigo. Mas ela sabe que quem ela queria que estivesse ali não vai mais estar. Ela continua andando. O medo é crescente. A sensação de vazio está ainda mais presente. É angustiante ficar ali, ela quer ir embora, mas sabe que tem que ficar. Não é um lugar comum. É como estar dentro de uma pintura infantil. Uma pintura infantil de um filme de terror. As cores não combinam, nada parece fazer sentido. Há sombras que lembram árvores, mas passam uma sensação estranha e possuem um brilho próprio. O chão muda de textura a todo o momento, como se não soubesse exatamente o que quer ser. Mas quem pode culpa-lo, eu também não sei.
Apesar da crescente angústia, ela sabe que o que ela veio ver está um pouco mais a sua frente. Ela nunca entendeu como sabe que direção tomar, mas tem a impressão que qualquer direção que ela siga vai encontrar o que procura. Ou isso vai me encontrar. Então tudo começa a ficar mais cinza, como se a estranha luz do lugar estivesse sendo sugada. Ela sabe porque. Anda um pouco mais, e a luz parece desaparecer. Na verdade não é que a luz sumisse. Mas como se uma luz escura sobrepusesse a luz clara. Ela sabe que está chegando perto. É aqui. Uma enorme barreira negra está a sua frente. Não é possível ver o início ou o final desta barreira. Parece uma redoma gigante. E eu tenho que ultrapassá-la. Apesar do medo, e da insegurança de não saber o que há do outro lado. Ela estende a mão, seus dedos quase tocando a superfície escura. O frio toma conta de seu corpo, e a escuridão já é total novamente, ela fecha os olhos...
Então a queda parece mais suave. Mais leve. Ela abre os olhos. O lugar é estranho. É desconfortável e familiar estar aqui. Sempre esta mesma sensação quando ela vem aqui. Tudo é cinzento, mas de certa forma aveludado como em um sonho, ela sabe que em pouco tempo as coisas terão cores. Aliás, isso é um sonho? Ela sempre se pergunta que lugar é este. Chegou a pensar várias vezes que estava louca. Desistiu de conversar com alguém sobre isso. Nunca ninguém entende. Engraçado como eu só venho aqui quando as coisas não estão bem. Pensou em diversas origens deste lugar. A primeira coisa que sempre lhe passa pela cabeça é que tudo não passa de um sonho, já que sempre acontece quando ela está dormindo, ou sonolenta. Certa vez alguém lhe disse que eram experiências extra-corpóreas. Chegou a pensar que talvez fosse uma maneira que seu corpo encontrou de fazê-la entrar no seu subconsciente. Se esse é meu subconsciente eu estou mesmo ferrada. E sorri ao pensamento. As coisas já tomaram um pouco mais de cor, mas é como se fosse um mundo de sombras. Sombras coloridas que ao longe parecem tão brilhantes. Sombras escuras que parecem sempre surgir no canto do olho e somem quando se tenta segui-las com o olhar. Seja o que for este lugar eu tenho que estar aqui. Tenta se habituar a caminhar, sempre é estranho. É como caminhar em uma pilha de colchões. As sombras passam por ela. Não é hora de ter medo. Nada vai me acontecer. Continua andando, agora vai ficando mais fácil. Queria ter um guia. Queria que alguém estivesse aqui comigo. Mas ela sabe que quem ela queria que estivesse ali não vai mais estar. Ela continua andando. O medo é crescente. A sensação de vazio está ainda mais presente. É angustiante ficar ali, ela quer ir embora, mas sabe que tem que ficar. Não é um lugar comum. É como estar dentro de uma pintura infantil. Uma pintura infantil de um filme de terror. As cores não combinam, nada parece fazer sentido. Há sombras que lembram árvores, mas passam uma sensação estranha e possuem um brilho próprio. O chão muda de textura a todo o momento, como se não soubesse exatamente o que quer ser. Mas quem pode culpa-lo, eu também não sei.
Apesar da crescente angústia, ela sabe que o que ela veio ver está um pouco mais a sua frente. Ela nunca entendeu como sabe que direção tomar, mas tem a impressão que qualquer direção que ela siga vai encontrar o que procura. Ou isso vai me encontrar. Então tudo começa a ficar mais cinza, como se a estranha luz do lugar estivesse sendo sugada. Ela sabe porque. Anda um pouco mais, e a luz parece desaparecer. Na verdade não é que a luz sumisse. Mas como se uma luz escura sobrepusesse a luz clara. Ela sabe que está chegando perto. É aqui. Uma enorme barreira negra está a sua frente. Não é possível ver o início ou o final desta barreira. Parece uma redoma gigante. E eu tenho que ultrapassá-la. Apesar do medo, e da insegurança de não saber o que há do outro lado. Ela estende a mão, seus dedos quase tocando a superfície escura. O frio toma conta de seu corpo, e a escuridão já é total novamente, ela fecha os olhos...
O Encontro Parte II
Ela deseja que tivesse sido só um sonho, mas nada mais pode ser feito. Não há tempo nem sequer para pensar sobre isso. A vida segue. Ela sabe o que tem que ser feito. Sabe que só ela pode fazê-lo. Por mais que tente fugir, e esquecer, isso sempre volta. Sempre está lá, pairando como uma sombra.
Ela seca o rosto, as lágrimas foram embora, mas sensação de vazio continua lá. Não é uma sensação que se possa explicar. Mas é imensamente dolorosa. Ela se arruma, tentando não pensar em nada. Ok, tudo pronto pra ir. Toma seu café, mais como uma obrigação, pois não tem fome. Respira fundo. O dia vai ser longo. E sai, sabendo que em poucos minutos terá que mostrar um sorriso no rosto, ninguém tem culpa do que está acontecendo.
O dia passa, sem intervalos e com aquela mesma sensação no peito. O dia passa e ela sabe o que tem que ser feito. Queria poder fugir, mas não tem mais como. Chega em casa. Olha para casa vazia. Está escuro, mas ela não vai acender as luzes. larga suas coisas em cima do sofá já desbotado. Senta-se por um instante. a casa pequena parece ainda menor. Sente-se sufocada, quase claustrofóbica. Levanta e vai até o quarto. Toma um banho quente, e a luz fraca do banheiro ilumina o quarto que tantas lembranças traz. Ela está completamente confusa. Não sabe o que fazer. Como? Porque? Onde eu errei? Ela pensa incessantemente. E lágrimas continuam caindo. Sai do banho. Coloca um pijama confortável, apaga a luz do banheiro e senta-se na cama. a janela está aberta e a luz da lua penetra no quarto, quase enconstando em seus pés encolhidos na cama. Ela olha pra lua. sempre gostou do luar. mas hoje sente que há também muita tristeza na lua. Irônico, o clima parece refletir meus sentimentos. Foi um dia nublado, chuvoso, mas a noite está mais limpa, permitindo que a lua seja vista. Ela fica muito tempo ali, pensando, as horas passando. a lua já quase não pode ser vista mais do ângulo da cama. Olhando para o céu ela vê uma estrela. Estrela. Sempre a minha estrela. Sempre no céu, sempre tão longe. Sempre no futuro, sempre inatingível. Quando vou conseguir alcançar a minha estrela? Dúvidas. Muitas dúvidas, seguidas de lágrimas. Não tem mais volta. Ela sabe o que tem que ser feito. Ela sabe que já está tarde. O porta vai se abrir a qualquer momento. Ela tem que tomar logo uma decisão. Fecha os olhos, as lágrimas caindo ainda.
O que fazer? Como continuar assim? O tempo vai passando. Ela abre os olhos. Tem um sorriso nos lábios, e as lágrimas continuam caindo. Está na hora. A decisão foi tomada. Ela caminha até a porta que dá para a sacada. Está aberta. Está escuro, muito escuro. Não há luz da lua, não há estrelas no céu. Não há céu. Ela tateia no escuro e sente o parapeito. Ela sobe na saliencia. Está calma. Ainda chorando, ainda com um sorriso nos lábios, mas calma. Tantas coisas passam na sua cabeça neste momento, e um certo medo a toma. Ela o afasta. Tem que fazer isso. Sorri pela ironia da situação. Respira fundo, e no escuro, ela dá um passo a frente. Sorri novamente, e desloca o peso a frente. Sente o vento passando por seu corpo a medida que cai. Está muito escuro, e ela sente uma vertigem, mas tinha que ser feito. O mergulho no escuro é angustiante, ela se sente caindo e caindo....
Ela seca o rosto, as lágrimas foram embora, mas sensação de vazio continua lá. Não é uma sensação que se possa explicar. Mas é imensamente dolorosa. Ela se arruma, tentando não pensar em nada. Ok, tudo pronto pra ir. Toma seu café, mais como uma obrigação, pois não tem fome. Respira fundo. O dia vai ser longo. E sai, sabendo que em poucos minutos terá que mostrar um sorriso no rosto, ninguém tem culpa do que está acontecendo.
O dia passa, sem intervalos e com aquela mesma sensação no peito. O dia passa e ela sabe o que tem que ser feito. Queria poder fugir, mas não tem mais como. Chega em casa. Olha para casa vazia. Está escuro, mas ela não vai acender as luzes. larga suas coisas em cima do sofá já desbotado. Senta-se por um instante. a casa pequena parece ainda menor. Sente-se sufocada, quase claustrofóbica. Levanta e vai até o quarto. Toma um banho quente, e a luz fraca do banheiro ilumina o quarto que tantas lembranças traz. Ela está completamente confusa. Não sabe o que fazer. Como? Porque? Onde eu errei? Ela pensa incessantemente. E lágrimas continuam caindo. Sai do banho. Coloca um pijama confortável, apaga a luz do banheiro e senta-se na cama. a janela está aberta e a luz da lua penetra no quarto, quase enconstando em seus pés encolhidos na cama. Ela olha pra lua. sempre gostou do luar. mas hoje sente que há também muita tristeza na lua. Irônico, o clima parece refletir meus sentimentos. Foi um dia nublado, chuvoso, mas a noite está mais limpa, permitindo que a lua seja vista. Ela fica muito tempo ali, pensando, as horas passando. a lua já quase não pode ser vista mais do ângulo da cama. Olhando para o céu ela vê uma estrela. Estrela. Sempre a minha estrela. Sempre no céu, sempre tão longe. Sempre no futuro, sempre inatingível. Quando vou conseguir alcançar a minha estrela? Dúvidas. Muitas dúvidas, seguidas de lágrimas. Não tem mais volta. Ela sabe o que tem que ser feito. Ela sabe que já está tarde. O porta vai se abrir a qualquer momento. Ela tem que tomar logo uma decisão. Fecha os olhos, as lágrimas caindo ainda.
O que fazer? Como continuar assim? O tempo vai passando. Ela abre os olhos. Tem um sorriso nos lábios, e as lágrimas continuam caindo. Está na hora. A decisão foi tomada. Ela caminha até a porta que dá para a sacada. Está aberta. Está escuro, muito escuro. Não há luz da lua, não há estrelas no céu. Não há céu. Ela tateia no escuro e sente o parapeito. Ela sobe na saliencia. Está calma. Ainda chorando, ainda com um sorriso nos lábios, mas calma. Tantas coisas passam na sua cabeça neste momento, e um certo medo a toma. Ela o afasta. Tem que fazer isso. Sorri pela ironia da situação. Respira fundo, e no escuro, ela dá um passo a frente. Sorri novamente, e desloca o peso a frente. Sente o vento passando por seu corpo a medida que cai. Está muito escuro, e ela sente uma vertigem, mas tinha que ser feito. O mergulho no escuro é angustiante, ela se sente caindo e caindo....
terça-feira, junho 15, 2010
O Encontro
Parte I
O despertador toca, ela abre os olhos, estende o braço e aperta o botão que faz parar aquele som irritante. 6 horas ela pensa. Fica um pouco mais deitada na cama. O despertador não a acordou. Ficou acordada quase a noite toda. Só pequenos períodos de sonhos conturbados.
Foi só um sonho ela pensa. Tem que levantar. Afasta as cobertas, sente-se quente, mas o frio do quarto a alivia. Foi só um pesadelo ela pensa de novo, ficando em pé e indo em direção ao banheiro. Ela olha diretamente para frente, fixa o olhar na porta branca. Ela não quer olhar para os lados. Não quer ver o que tem a sua volta.
Ela abre a porta, não acende a luz, ficando no breu de frente para a pia. Abre a torneira e joga a água fria no rosto. Sente o gelado da água, mas não se importa. Foi só um sonho, e a água fria escorre do seu rosto. Ela levanta o rosto, e se olha no espelho mesmo no escuro. A realidade a atinge como um soco na boca do estômago. Por um instante ela perde o ar. Não foi um sonho. Não foi um pesadelo. É real. As lágrimas se confundem com a água que escorre do seu rosto.
Ela deseja que tivesse sido só um sonho.
O despertador toca, ela abre os olhos, estende o braço e aperta o botão que faz parar aquele som irritante. 6 horas ela pensa. Fica um pouco mais deitada na cama. O despertador não a acordou. Ficou acordada quase a noite toda. Só pequenos períodos de sonhos conturbados.
Foi só um sonho ela pensa. Tem que levantar. Afasta as cobertas, sente-se quente, mas o frio do quarto a alivia. Foi só um pesadelo ela pensa de novo, ficando em pé e indo em direção ao banheiro. Ela olha diretamente para frente, fixa o olhar na porta branca. Ela não quer olhar para os lados. Não quer ver o que tem a sua volta.
Ela abre a porta, não acende a luz, ficando no breu de frente para a pia. Abre a torneira e joga a água fria no rosto. Sente o gelado da água, mas não se importa. Foi só um sonho, e a água fria escorre do seu rosto. Ela levanta o rosto, e se olha no espelho mesmo no escuro. A realidade a atinge como um soco na boca do estômago. Por um instante ela perde o ar. Não foi um sonho. Não foi um pesadelo. É real. As lágrimas se confundem com a água que escorre do seu rosto.
Ela deseja que tivesse sido só um sonho.
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